
Aos 17 anos, Matías Bottoni se preparava para saltar na piscina para o aquecimento da última etapa do Campeonato Nacional de Natação da Argentina, em Buenos Aires. Ao mergulhar, Bottoni caiu sobre outro atleta que nadava abaixo e fraturou a quinta vértebra da região cervical da coluna.
A lesão comprimiu sua medula e, após cirurgia, a equipe médica concluiu o diagnóstico de que “não há possibilidades de que Matías volte a andar”. Dr. Vinícius Magno, ortopedista e cirurgião da coluna vertebral, explicou como ocorre essa lesão e suas consequências.
– Durante o mergulho, quando a cabeça se choca contra um anteparo, a energia dissipada pelo corpo se transforma em energia mecânica concentrada na coluna cervical e normalmente resulta em condições de fratura ou fratura-luxação. Esse resultado gera uma contusão no tecido neural da medula, que leva ao desligamento imediato das funções sensitivas e motoras dos membros abaixo daquele nível. As fraturas entre as vértebras C5 e C6 são mais frequentes, porque o maior arco de movimento e flexo-extensão da coluna está justamente entre essas vértebras, então biomecanicamente esse nível possui uma menor proteção. Isso também acontece entre C6 e C7.
“Prevenção é tudo”
Com a técnica correta e o ambiente controlado, as vítimas de lesões dessa natureza não costumam ser atletas de alto rendimento. De acordo com Magno, é muito mais comum receber pacientes que sofreram esse tipo de acidente em piscinas domésticas, praias ou cachoeiras.
– Embora seja uma contusão previsível e ainda que com uma abordagem imediata, é difícil conseguir resultados que devolvam ao paciente as funções motoras completas. A lesão decorrente de mergulhos em águas rasas é uma preocupação de órgãos de saúde de vários países e há campanhas de prevenção a estes acidentes, especialmente no verão. Por isso, essa é uma condição considerada sazonal. Prevenção é tudo.
Acidentes como o de Matías Bottoni são mais comuns do que imaginamos, em especial fora das piscinas olímpicas. É muito importante manter a atenção aos banhos de rio e mar e às profundidades das piscinas. São pequenos momentos de descuido que podem ser sentidos por uma vida toda.
Confira a entrevista do Dr. Vinícius Magno ao Painel, da Rádio Roquette Pinto