Fratura do enforcado

Esta lesão também é conhecida como espondilolistese traumática do áxis (segunda vértebra cervical – C2) e foi descrita inicialmente por Schneider (1965) em vítimas de enforcamentos judiciais.

Atualmente sabemos que a Fratura do Enforcado resulta da sequência HIPEREXTENSÃO > COMPRESSÃO > FLEXÃO DE REBOTE, normalmente vista em acidentes automobilísticos.

Quedas e mergulhos em águas rasas também podem causar este tipo de fratura.

A Espondilolistese Traumatica do Axis (ETA) corresponde de 7-20% das fraturas cervicais e a quase 1/4 das fraturas de C2 e a vítima pode se apresentar com dor cervical, déficits neurológicos (paralisias e/ou alterações de sensibilidade) ou ainda, mais raramente, pode ir a óbito na ocasião no acidente (nos casos de lesões mais graves).

Não é incomum que a ETA se correlacione com outras lesões, como o traumatismo cranioencefálico, fraturas dos membros ou lesões de órgãos torácicos e intra-abdominais. Por este motivo, a avaliação multidisciplinar especializada em trauma é fundamental para a estabilização clínica do paciente antes do tratamento definitivo da lesão na coluna.

O especialista em cirurgia da coluna é imprescindível na avaliação e tratamento da ETA. Casos mais brandos, com pouco desvio e angulação podem ser tratados com imobilização precedida ou não de tração craniana, mas aqueles casos com desvio importante e compressão da medula podem exigir o tratamento cirúrgico.